Para refletir o que a gente esquecia: análise de videoclipes da banda O Rappa

18 de novembro de 2016

O videoclipe é um formato de produção que nasce de uma música, para divulgar o seu intérprete. Mesmo tendo origem nos primórdios da história do cinema e nas suas tentativas de sincronizar som e imagem, este formato audiovisual se consolida nos anos 1970 como peça promocional produzida para vender discos, divulgar artistas e a cultura pop. No entanto, o videoclipe sempre se caracterizou também como forma de expressão televisual de vitalidade. Atualmente, o videoclipe migrou para a internet, mas ainda apresenta em sua estética os elementos da linguagem televisiva e as potencialidades da autoria na prática da produção audiovisual.

Qualquer videoclipe cria uma concepção visual para uma canção, a partir de sua melodia e letra. Assim, analisar um videoclipe é investigar a construção audiovisual deste formato quando articula uma música já existente com imagens que dialogam com o ritmo e a melodia, o conteúdo da letra que conta uma estória ou faz uma reflexão proposta pelo artista e a performance da voz de quem canta.

Em vista disso, esta monografia de Talita Barauna analisa a criação e a produção de videoclipes que abordam em suas narrativas a realidade social brasileira. Para isso, a autora analisa três vídeos da banda O Rappa: Minha alma (2000), O que sobrou do céu (2001) e O salto (2004). Além da análise narrativa dos videoclipes, a jovem pesquisadora apresenta um breve panorama da história do videoclipe e verifica o papel da emissora MTV para o desenvolvimento desse formato no Brasil. Ainda em seu percurso de investigação histórica, busca compreender melhor a trajetória da banda O Rappa, que se preocupa em abordar a realidade através das músicas e videoclipes, com narrativas sobre o cotidiano das favelas e periferias brasileiras.

O texto revela o talento da aluna para a construção de uma análise sobre os temas dos videoclipes, que foram investigados com olhar crítico e a partir de referências sobre o seu contexto histórico, verificando a realidade brasileira e a necessidade de uma valorização do ser humano diante dos problemas econômicos e sociais, e ainda demonstra um olhar enriquecedor sobre os vídeos com sua atenção para a estética, estudando sua criação e linguagens audiovisuais, matizando tema e forma dos videoclipes.

Segundo a autora, o videoclipe, especialmente narrativo, permite propagar ideologias e também compõe a identidade do trabalho do artista e, por isso, não deixa de cumprir o papel de divulgar a música. Com isso, esta pesquisa cuidadosa discute a divulgação de uma reflexão sobre a sociedade e o indivíduo, a partir de uma proposta estética de produção audiovisual que merece ser estudada, principalmente para a área de Rádio, TV e Internet, na busca de um melhor entendimento sobre a criação e produção de videoclipes brasileiros e como um incentivo para futuros projetos audiovisuais que sejam frutos do engajamento político de seus realizadores.

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