O problema da felicidade na filosofia trágica de Nietzsche

23 de Janeiro de 2017

No ano de 1844 nasceu Friedrich Wilhelm Nietzsche. Um alemão de família protestante, introduzido desde jovem, por incentivo de seu pai, aos estudos de Teologia. Mas, já na adolescência, após a morte de seu pai, o jovem Nietzsche sentiu o toque da Filosofia, um rumo decisivo para a sua formação acadêmica. Em 1864, ingressa na Universidade de Bonn, para o curso de filologia clássica e, academicamente, teve como figura paterna o professor Friedrich Wilhelm Ritschl, por essa razão, mais tardiamente, transferiu-se para Leipzig, a fim de acompanhar seu grande mestre. Aos 24 anos, foi nomeado professor de filologia com cátedra em Basileia. Durante o período de dez anos, foi também um leitor compulsivo do filósofo alemão, Schopenhauer, em especial a obra O mundo como vontade e representação, levando-o a pesquisar a respeito da filosofia pré-socrática, com ênfase em Heráclito.

Nietzsche é uma peculiaridade na História da Filosofia. Durante o seu pouco tempo de vida, produziu muitos escritos sedutores e exortadores de uma conduta que chamou de transvaloração. O alemão é conhecido como “O outro da filosofia”, um inovador, uma metralhadora giratória que extermina idealismos, podendo ser considerado o filósofo da instintividade. Mas, ao mesmo tempo, faz-se necessário reconhecer que a sua filosofia é dividida em três fases:

I. A juventude: Possuiu grande influência do compositor Richard Wagner e do filósofo Schopenhauer. Era um acadêmico, com grande influência do Romantismo. A realização no estudo da Estética, recorrendo aos gregos pré-socráticos, às narrativas trágicas e aos materiais antropológicos a respeito da Grécia pré-apolínea, o introduziu à Filosofia e, sobre este tema, ou seja, a estética dionisíaca, está encarregado o primeiro capítulo deste trabalho.

II. Crítica à moral: Ruptura direta com Wagner e Schopenhauer. Nietzsche passa a criticar ferrenhamente o idealismo alemão e, também, o cristianismo. É sobre esta temática, entrelaçando a obra Gaia ciência ao Ecce homo, que foi elaborado o segundo capítulo.

III. O Zaratustra: A fase mais marcante de seu pensamento. Escreve de forma integralmente aforística, desvinculada de qualquer perspectiva que não sejam a trágica e a dionisíaca, o que finaliza o desenvolvimento da pesquisa com o terceiro e último capítulo, que evidencia o Zaratustra como um poeta trágico.

Há em algumas obras de Nietzsche, referências que problematizam a felicidade na sua filosofia trágica. Chama-se problema, pois Nietzsche não trata da felicidade como um princípio ético, tal como fez Aristóteles e outros gregos, mas aborda este termo filosófico, desenvolvido em todos os períodos de sua produção, com uma visão derrotista. Não afirma que haja a impossibilidade de alcançá-la, mas por um dia ter sido tão próxima e presente que, foi preferível estabelecer caminhos demasiadamente árduos, contrários à natureza humana.

A felicidade é uma busca, não há atividade humana que não vise encontrá-la. A Filosofia desabrocha do cotidiano humano, das tentativas de enaltecimento do ser, essa é a motivação para o desenvolvimento desta pesquisa. Nietzsche a buscou, deixando claro em seus relatos históricos e na sua produtividade filosófica.

O modo com que Nietzsche viveu, doente, e viajando em consequência dessa condição de saúde, influenciou diretamente sua obra.  Havia motivos vitais para apresentar ao mundo o seu Zaratustra, essa relação será discorrida no segundo capítulo desta pesquisa. A sua crítica à razão, em anunciar a décadence já na figura de Sócrates e na filosofia de Platão, gerou um arcabouço de renúncia daquilo “que se é”, tendo como ápice de renúncias o idealismo alemão. Platão é o pai do idealismo, um ponto de partida para o niilismo. De maneira efetiva, o autor recupera a noção de valorização da terra e dos instintos, algo que era presente no trágico.

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