“Psicose”: Uma análise de Norman Bates

29 de maio de 2015

Por Juliana Oliveira


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Vamos falar de filmes, que mesmo quem não assistiu já ouviu falar de alguma forma, e, que possuem significados por trás de tudo, até mesmo nos pequenos detalhes.

Quero dizer que esse post pode conter alguns spoilers, mas creio que você irá assistir ou pesquisar sobre o filme antes mesmo de terminar de ler esse texto, então se prepare! Não vou entrar em detalhes, pois assim como o título, pretendo focar no personagem Norman Bates.  Afinal, poucos desconhecem a história do filme, o que faria disso só mais uma resenha.

Bom, já viu aquela famosa cena de uma loira sendo esfaqueada no chuveiro com aquela trilha sonora marcante – que você já ouviu pelo menos uma vez na vida? Não é à toa que o filme Psicose (Phycho), de 1960, entrou para a história do cinema como uma obra de suspense audacioso e revolucionário para sua época. Baseado na novela do americano Robert Bloch e dirigido pelo majestoso Alfred Hitchock, um dos maiores diretores da categoria, todo o custo de produção do filme foi financiado, inclusive o salários dos atores principais, pois a distribuidora Paramount recusou o projeto, totalizado em US$ 800 mil dólares.

Vamos ao filme!

Marion Crane (Janet Leight) trabalha como secretária em uma imobiliária, onde possui a tarefa de depositar uma alta quantia na conta de um cliente. Crane, ao deparar-se com tanto dinheiro, cai em tentação e foge com todo o dinheiro. Começa a dirigir sem destino e vários acontecimentos atrapalham seu percurso, o que acaba levantando algumas suspeitas. Cansada e enfrentando uma enorme tempestade, Marion se hospeda no Bates Motel, único lugar disponível e aberto tarde da noite. O lugar era decadente e solitário, quase à falência pela criação da autoestrada e pelo baixo movimento.

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Norman Bates, um homem simpático e tímido, era o dono do lugar. Norman apresenta o simples local a para moça, a convidando para comer algo, porém, sua mãe grita com ele, o que faz Bates levar Marion para outra sala, onde existem diversos animais empalhados. Depois de uma simples conversa, Crane percebe que o rapaz possui uma obsessão pela sua mãe. Após atos estranhos e um possível interesse, ela se retira do local e vai para o quarto, onde pretende tomar banho, mas acaba sendo brutalmente assassinada a facadas (eis aqui a famosa cena!).

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Com o desaparecimento de Marion, sua irmã Lila (Vera Miles) começa uma busca para encontrá-la. Sam (John Gavin), namorado de Marion, e o detetive contratado, Arbogast (Martin Balsam) começam a procura. A busca é iniciada e logo o Bates Motel é cogitado como um possível esconderijo. O detetive começa uma inspeção no local e considera Norman muito suspeito. Por sua vez, Arbogast informa Lila por telefone de suas suspeitas, e sua intenção de interrogar a mãe de Bates. De repente, o detetive também acaba assassinado por alguém que aparentemente é a mãe de Bates.

Acho melhor parar por aqui. Para quem não assistiu, garanto que esse é um dos melhores filmes do Hitchock. Mais um pouco e eu teria contado o final do filme (eu até queria fazer isso). MASSSSSSS, deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões quando assistirem. Como disse, não queria fazer apenas uma resenha, e sim uma análise diferente de Norman Bates, justamente pelo fato de que o filme já possui sua grandiosidade e reconhecimento. Quando assisti Psicose, tive uma incrível curiosidade (como sempre) em conhecer mais sobre a história e o contexto que existe atrás da história dos personagens e descobri algumas coisas interessantes, principalmente sobre Norman.

Não tinha conhecimento, mas o caso real de Ed Gein foi inspiração para a criação do personagem. Gein foi um homicida americano, condenado pelo assassinato de duas pessoas e o desaparecimento de outras cinco.  Seus crimes ganharam destaque, pois costumava exumar cadáveres de cemitérios, fazendo uma espécie de troféu com eles. Considerado mentalmente incapaz não foi condenado, devido a sua insanidade. Talvez sua condenação também seja uma relação com os desfechos do filme.

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Ed Gein

No caso do personagem Norman, é visível a semelhança com Ed Gein. Por sua vez, Bates também assassinou pessoas, incluindo Marion, e transformou uma de suas vítimas em “troféu”. Outro fator desencadeador para a personalidade conturbada do personagem é a relação com a mãe. A figura materna, por vezes, é insensata ao ponto de interferir na percepção de mundo do filho, influenciando-o de forma negativa.

O complexo de Édipo é determinante para que a psicose se alastre, nesse caso. Norman era fixado por sua mãe, uma mulher dominadora e fanaticamente religiosa. O fascínio era tanto que Bates assumia a personalidade da mãe, chegando até a vestir-se igual a ela, mas logo sofria de um surto de amnésia. Ele acreditava que sua mãe era uma velha e que precisava de amor, sendo sua obrigação cuidar dela. As falas da mãe também insinuam o ódio por todas as mulheres que possam a vir se relacionar com Norman.

Outro importante detalhe é o fato de que o quarto de Norman foi decorado com brinquedos e artefatos infantis, mostrando que não possuía maturidade suficiente para levar a vida por si só, além de sua personalidade quieta e estranha. Nota-se também sua solidão, Bates vivia com uma única aparente companhia, a mãe. Seu motel, cada vez mais pacato, não lhe dava outra escolha senão realizar hobbies exóticos como a taxidermia (empalhar animais), sendo esse, aliás, o ponto máximo de sua psicose.

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Apesar de todos esses fatores que causariam estranheza a qualquer um que os notasse em um gerente de motel, Bates não parecia suspeito. Mantinha aparências de um jovem correto e visualmente apresentável, estratégia do diretor para causar espanto ainda maior no público. Como o próprio Bates disse no final do filme, “Eu não poderia fazer mal a uma mosca”.

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