“Não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá”

31 de Março de 2016

Laís de Oliveira, aluna de jornalismo


Em busca da valorização do trabalho e da arte, músicos de rua encontram espaço no exterior


Seja nas calçadas das grandes capitais ou nas esquinas do interior, os músicos de rua se tornaram presença constante no cotidiano de quem por ali passa, mas há uma grande diferença da recepção que esses artistas recebem no Brasil da que se obtém em qualquer outro lugar do mundo. “Se você não é um grande cantor, um grande compositor, eles não te valorizam muito”, diz Carlos Afonso Machado, 47 anos, que toca nas ruas desde os 23 e já viajou por vários países em função da atividade.

machado

 

Essa recepção mais distante, segundo ele, decorre de fortes características da sociedade brasileira. Machado fala da falha no sistema educacional, da falta ou má aplicação dos incentivos públicos e da própria bagagem cultural. “A união desses elementos reflete a situação atual do país, em que a comercialização da música e a banalização do conceito de arte tornam o menosprezo a muitos desses artistas mais comum”.

Há diferença no espaço para as apresentações, na segurança e até na aceitação do som pelo público. No exterior, diz Machado, há uma valorização dessa manifestação artística. “O pessoal tem uma admiração, um respeito pela música brasileira”, diz Carlos. E é exatamente por isso que os músicos procuram algo lá fora e parecem ir na contramão da Canção do Exílio.

Este texto é o produto de uma coletiva realizada na faculdade como parte das atividades da disciplina de Técnicas de Reportagem e Entrevista, sob supervisão do Prof. Wagner Belmonte.

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