Frida Kahlo, pinturas de uma realidade surreal

27 de agosto de 2015

Por Lucas Fernandes


Em setembro, o instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, recebe a exposição da grande artista mexicana, Frida Kahlo. A mostra tem início no dia 26 e permanecera até o janeiro de 2016, e apresentará além de suas obras, as dos artistas: Maria Izquierdo, Remedios Varo, Lenora Carrington e outros artistas mexicanos.

Para aguçar seus admiradores, a FAPCOM conta um pouco sobre essa tão brilhante pintora!

Nascida em 1907, Magdalena Carmen Frida Kahlo se tornou uma das personalidades mais importantes do México, seja por sua postura revolucionária, seja pelos seus autorretratos surrealistas. Filha do famoso fotógrafo Guillermo Kahlo e Matilde Calderon, tinha paixão por seu país e suas tradições, o que fazia questão de externar por meio das roupas, e elementos da cultura popular.

A arte para Frida se fez através da dor. Aos seis anos, contraiu poliomielite, que atrofiou seu pé direito. Para disfarçar suas pernas assimétricas, passou a usar calças, depois longas saias, que se tornaram uma de suas marcas registradas.

Suas aspirações juvenis passaram longe da tinta e das telas, estudava medicina na primeira turma feminina da escola Preparatória Nacional. Isso mudou quando, em 1925, no retorno para casa, ela e seu então noivo sofreram um grave acidente. O ônibus em que ela estava se chocou com um bonde, uma barra de ferro perfurou seu abdômen e seu útero. Esclarece: “não foi violento, mas surdo, lento, ferindo todo mundo. Sobretudo a mim […] O choque nos jogou para frente e o corrimão me transpassou como a espada transpassa o touro. […] Perdi minha virgindade, meu rim amoleceu, não podia mais urinar, porém, o que mais me incomodava era a coluna vertebral.” – Trecho retirado do livro Frida, de Hayden Herrera (1983).

A partir dessa experiência, ela criou a obra ”Coluna Quebrada”, em 1944.

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Teve seu corpo enfaixado, realizou diversos processos cirúrgicos e terapêuticos, seu hobbie era pintar o gesso que a encobria. Ao sair do hospital, seus pais providenciaram uma cama com um espelho que a refletia, compram um cavalete e lhe deram de presente uma caixa de tinta. Afastada dos estudos, Frida iniciou suas pinturas de autorretrato surrealistas, de forma muito peculiar.

Vivaz e patriota, em 1928 ingressa no partido comunista mexicano, como forma de recuperar todo tempo que esteve acamada. Lá encontrou Diego Rivera, um dos maiores pintores mexicanos, que para ela viera ser a maior tragédia da sua vida. Casou-se com ele em 1929, aos 22 anos, uma relação intensa, de amor e ódio.

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Frida, bissexual assumida, se relacionava com outras mulheres com o consentimento de Rivera, que não permitia que ela tivesse caso com outros homens. Porém ambos mantinham casos extraconjugais. Em 1930, Diego e ela viajam para os EUA, onde ele tinha trabalhos e exposições. Foi neste período que Kahlo teve seu primeiro aborto espontâneo, expressado através de suas pinturas posteriormente.

O casal, envolvido com o partido comunista, acolheu em sua casa no México, Leon Trotski, revolucionário marxista, entre 1937 e 1939. Trotski, amigo de Diego, acabou se envolvendo com Frida, caso que marcou a história de ambos.

No México, Frida suportou as dores do falecimento da mãe, o segundo aborto, e as traições de Diego, inclusive com Cristina, sua própria irmã, que se tornou amante e motivo da primeira separação do casal em 1939. Ainda neste ano, Frida parte sozinha para Nova York, onde fez sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy. Abalada, corta seus cabelos, inspiração ao autorretrato “Cabelos Cortados”, de 1940.

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Um ano depois, eles se reconciliaram, mas desta vez, Frida construiu uma casa ao lado da casa de Diego, unindo-as apenas por uma ponte.

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Posteriormente, ela e Diego mudam-se para a “Casa Azul”, sua casa familiar, onde morava seu pai Guilhermo, e hoje tornou-se um museu.

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Entre os anos 50 e 51, passa por setes operações na coluna vertebral, e posteriormente tem sua perna amputada. Viés para a famosa frase:  “pés, para que os quero, se tenho asas para voar”.

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Em 1954, Frida Kahlo foi encontrada morta, em seu leito. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte.

Sua história foi contada por meio de sua autobiografia (1953), pela biografia escrita por Hayden Herrera (1983), no filme ”Frida, natureza vida”, de 1983, e também por “Frida Kahlo”, produzido por Miramax Filmes e estrelado por Salma Hayek.

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