Filosofar na escola pública: uma corrida cheia de obstáculos

23 de setembro de 2015

Reflexões, didáticas, criatividade e inclusão pedagógica são treinos para os desafios educacionais na carreira de professores e filósofos


Por Juliana Salles e Victória Grimello


Palestra da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo (APROFFESP) conduzida pelo professor Hugo Matos, da FAPCOM (Foto: Victória Grimello)

 

Primeira semana de aula no Ensino Médio em uma escola pública estadual da capital ou da Grande São Paulo. Aos poucos, os estudantes descobrem quais serão as matérias que eles terão ao longo do ano. Português, Inglês, Matemática, Biologia… A lista também traz novidades, como Sociologia e Filosofia. “Filosofia? Nossa, que matéria chata!”, julgam alguns alunos, antes mesmo de conhecer melhor a disciplina.

Do outro lado da sala, desafios não faltam aos professores. Desinteresse dos estudantes, salário baixo, infraestrutura precária e/ou inacessível para as aulas, falta de suporte às ideias dos educadores, problemas com os gestores escolares, propostas curriculares inadequadas à formação dos alunos e solidão em sala de aula.

Como solucionar esse quebra-cabeça? Sem respostas ou fórmulas prontas, o melhor caminho é refletir sobre o próprio trabalho. Pensar sobre a formação acadêmica e atuação do professor de filosofia dentro e fora de sala são objetivos da Associação dos Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo (APROFFESP), apresentada aos alunos da FAPCOM na II Semana da Comunicação pelo professor Hugo Matos. Tanto no período matutino como no noturno, as palestras foram seguidas de debates entre os participantes sobre a educação e a sociedade atual. Legislação educacional, proposta curricular das escolas públicas estaduais (conhecida pelos “caderninhos”), didática, bonificação, escolas em período integral, greves e inclusão pedagógica foram alguns dos temas discutidos.

A cobertura ao vivo realizada pela equipe do oitavo semestre matutino da FAPCOM registrou alguns dos momentos da conversa pelo Twitter.

Matos explica mais detalhes sobre a atuação da APROFFESP: 

A Associação conta com uma diretoria estadual que centraliza as atividades no Estado. Ela é dividida em 33 regionais autônomas. Cada uma tem seu próprio modelo de direção. A APROFFESP também atua como facilitadora de contatos com outras escolas.

Em meio aos desafios enfrentados pelos professores nas salas de aula do Ensino Médio, uma das propostas da APPROFESP é incluir a Filosofia como disciplina obrigatória no Ensino Fundamental. Os conteúdos seriam dados apenas por especialistas na área. O projeto de lei foi apresentado em 2012 na Assembleia Legislativa de São Paulo e até o momento não obteve resposta positiva. 

A próxima regional da APROFFESP pode ser instalada na FAPCOM. Cerca de 30 alunos manifestaram interesse na regional Centro-Sul ao longo da Semana da Comunicação. Se o projeto for colocado em prática, a faculdade será responsável pela cessão do local para reuniões e organização de eventos.

Fala, professor (a)!

Conheça as experiências de quem está na “linha de frente” do sistema educacional.

• Por que dar aula de Filosofia?

Formado em Filosofia pelo Centro Universitário São Camilo, Keisle Ventura aproveitou a manhã do dia 20 de agosto para participar da apresentação e debate sobre o papel da APROFFESP na educação pública estadual na FAPCOM. O professor explica como começou a dar aulas da disciplina para o Ensino Médio.

• Funk, rap e Filosofia da Linguagem?! – Contexto social e métodos eficazes de ensino

Durante o debate, Edriano Cruz comentou sobre inclusões pedagógicas criativas, como o ensino de Filosofia da Linguagem por meio do funk e do rap. O ex-aluno do Centro Universitário São Camilo citou ainda que “é ingenuidade pensar que o Estado vai deixar existir um modelo de Educação Libertadora”.

• Quando você é categoria O…

E quando o professor dessa disciplina entra em sala de aula como “eventual” ou “substituto”? Aluno do 6º semestre do Bacharelado em Filosofia da FAPCOM, Gabriel Gonçalves enfrentou esse desafio no início de 2015, ao ser contratado como professor da categoria O pelo Estado de São Paulo. Ouça o podcast e descubra quais métodos ele aplicou para cativar os estudantes.

Gabriel também citou o jogo Filosofighters como uma ferramenta educacional interessante para o ensino de Filosofia no Ensino Médio.

• Inclusões pedagógicas: pontes para o Ensino Superior

A educação pública estadual está bem longe dos padrões desejáveis de qualidade. Como a inclusão pedagógica pode ajudar os calouros nas faculdades? A aluna do 5º semestre do Bacharelado em Filosofia da FAPCOM, Dalila Brito, expõe ideias sobre o tema. 

Tome nota

• Conheça profundamente a legislação educacional brasileira, nos níveis nacional, estadual e municipal. Essas informações vão te ajudar a defender seus direitos e a planejar e implementar novos projetos. Clique aqui e teste seus conhecimentos sobre a Lei de Diretrizes e Bases;
• Saiba elaborar seu próprio material didático. Conversas com outros professores e seleção criteriosa de materiais na internet podem te ajudar nessa missão;
• Ainda é estudante? Não recuse a possibilidade de conhecer a realidade da sala de aula. O estágio é um desafio enriquecedor. A experiência ajuda ainda a aproximar o cotidiano dos professores do Ensino Superior e das escolas públicas;
• Leia muito! (e aproveite as dicas a seguir).

Da estante para a prática

Durante as palestras, Hugo Matos deu dicas de leituras para quem quer se aprofundar sobre o tema. Confira:

• A Reprodução – Elementos para uma teoria do sistema de ensino, Pierre Bourdieu e Jean Claude Passaron
• 
Aparelhos Ideológicos do Estado, Louis Althusser
• 
Por uma geografia nova, Milton Santos
• 
Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire
• 
Ética da Libertação, Enrique Dussel

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