Jornalismo colaborativo e financiamento coletivo

6 de junho de 2017

Como mapear as práticas jornalísticas no ambiente digital, envolvendo os conceitos de crowdsourcing, crowfunding e coworking na cidade São Paulo? Como elas podem ajudar na compreensão do jornalismo digital fora das grandes empresas de comunicação? Motivados com esta reflexão, alunos do 5ª semestre de Jornalismo da FAPCOM, na disciplina Jornalismo Digital: Teorias, organizaram uma série de seminários que incluíram entrevistas com jornalistas contanto a rotina de produção e apuração de reportagens online usando a colaboração e o financiamento coletivo na web.

Abaixo, segue a entrevista a partir da iniciativa da Agência Mural – agência de notícias, de informação e de inteligência sobre as periferias de São Paulo -, com a jornalista Marina Lopes, muralista desde 2012 no projeto e correspondente da Penha, na zona leste de São Paulo.

A agência surgiu em 2010 como um blog, chamado blog Mural, já focado no compartilhamento de notícias das periferias de São Paulo em um esforço coletivo de cerca de 20 colaboradores. Hospedado desde seu início entre a lista de blogs da Folha de S.Paulo, o objetivo é produzir conteúdo exclusivo de áreas invisíveis à redação do jornal e aos leitores. Mais de 100 muralistas, correspondentes locais (entre jornalistas, comunicadores e blogueiros residentes dos bairros e cidades da periferia de São Paulo – ou de áreas geográficas estendidas além do “centro” do poder político-econômico paulistano e que alcança as cidades da região metropolitana), já passaram pelo projeto.

Entrevista realizada por: Ana Paula Firmino e Beverlin Lins na disciplina Jornalismo Digital – Teorias com orientação: Profa. Ms. Fernanda Iarossi

 

Como o projeto começou?

Começamos em 2010 com cerca de 20 jornalistas e estudantes de Jornalismo que participaram de oficinas de jornalismo hiperlocal e, a partir daí, começaram a produziram conteúdos sobre os lugares onde viviam em São Paulo e na região metropolitana. Inicialmente este material era publicado em um blog produzido na Plataforma WordPress. Logo depois, o Mural entrou para a lista oficial dos blogs hospedados no portal da Folha de S.Paulo.

Qual a rotina de produção e os objetivos da Agência Mural?

Diariamente a equipe de correspondentes comunitários produz matérias sobre o que acontece na periferia da capital e da Grande São Paulo. A ideia é reconectar as pessoas com o lugar onde vivem e trazer uma imagem diferente, um outro olhar do que costumamos acompanhar nos veículos de comunicação, que muitas vezes não cobrem ou não dão espaço para as periferias, ou quando estes espaços são retratados normalmente são por causa da violência ou da necessidade de ações sociais de terceiros, como se não tivessem nada de bom. E nós tentamos desconstruir todos estes estereótipos e mostrar que as periferias enfrentam muitos desafios, muitas questões envolvendo estrutura e políticas públicas, mas não é só isso.

Como recorreram ao crowdfunding?

No início deste ano, recorremos a uma campanha através da Plataforma Catarse (intitulada Ajude o Jornalismo das Periferias a ter um CNPJ), voltada exclusivamente para formalizar a Agência Mural. Nós queremos ter um CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), constituir uma associação sem fins lucrativos e aí pensar em diferentes modelos de financiamento (pontuais ou recurrentes), já que é um desafio formas de custear projetos de jornalismo independente. Na atual campanha no ar, dá para ajudar a partir de R$ 10 com contrapartidas, desde caderninhos, adesivos, camisetas até oficinas de jornalismo e consultoria para iniciar um projeto inspirado na Agência Mural.

Com a formalização da Agência, a ideia é continuar produzindo conteúdos para os nossos parceiros, como o blog Mural na Folha de S.Paulo, o site em parceira com a Rede Nossa São Paulo, o canal no Medium com histórias, crônicas e relatos, a rede internacional Global Voices que republica conteúdos em diversos idiomas, a agenda cultural no Catraca Livre e a coluna no Guia Folha do jornal Folha de S.Paulo.

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