Prato Firmeza: o guia gastronômico das quebradas

7 de abril de 2017

Por Fernanda Iarossi


Entrevistamos nossa aluna Beá Lima, do 4º semestre de Jornalismo noturno, que fez parte do projeto Prato Firmeza – ÉNOIS – guia com resenhas produzidas por dez jovens, também moradores das periferias de São Paulo, em formação pela Escola de Jornalismo da Énois. Eles investigaram suas quebradas e descobriram 40 estabelecimentos.

Confira a entrevista abaixo e descubra outro projeto que vai ao ar no Canal Futura de cunho social.

Equipe Prato Firmeza (por Vinicius Cordeiro)

O que é, resumidamente, o “Prato Firmeza: o guia gastronômico das quebradas”?

O Prato Firmeza é um guia gastronômico criado para mapear bares, restaurantes e carrinhos de comida fora do centro de São Paulo.

Toda ideia surgiu em 2012 com o Matheus Oliveira, um dos alunos da oficina de Jornalismo ÉNOIS que rolava no Capão Redondo. Ele queria ser chef de cozinha, mas a falta de grana tanto para o curso, quanto para acessar o que é imposto como gastronomia faziam esse sonho parecer muito distante.

Foi a partir daí que surgiu a ideia de entender a gastronomia da quebrada, a missão dada ao Matheus foi retomada em 2016, na primeira turma da Escola de Jornalismo ÉNOIS, e durante 2 meses, lá fomos nós, 10 jovens de diferentes periferias de São Paulo pesquisar, apurar e resenhar sobre as delícias que existem nas quebradas. Tivemos a oportunidade de trabalhar em todos os aspectos do guia, desde a apuração até escolha do design gráfico do site e da versão impressa.

 

Foram jovens, também moradores das periferias de São Paulo, em formação pela Escola de Jornalismo da Énois, que fizeram, certo? De onde você é? E qual/quais estabelecimento/s você acompanhou para escrever?

Eu moro na Vila Formosa, cobri lugares dentro e fora do meu bairro. Entre eles, estão a Bomboniere Bom Doce, a pastelaria Orient, a Lanchonete Salsichão, o restaurante Maria Bonita, na Cidade Tiradentes, Casa da Largatixa Preta em Santo André, Churreria Dama C no bairro do Pimentas – Guarulhos.

Mapa Gatronomico de SP (por Natalia Garcia)

 

Vocês produziram resenhas para o Guia, correto? Como foi fazer um texto opinativo? Qual dica, dificuldade ou o que mais gostou ao fazer este tipo de texto jornalístico?

A ENÓIS ofereceu uma boa base prática. Tivemos desde aulas sobre jornalismo literário e exercícios de autoconhecimento com o psicólogo Vicente Góes, até roda de conversa com a crítica gastronômica Luiza Fecarotta.

Tudo isso contribuiu para que eu fosse para rua mais encorajada a ser jornalista do mundo e de mim mesma. Acho que aqui mora o grande lance do Prato Firmeza como texto opinativo, mas também literário. O guia não é só sobre rango bom e barato, é sobre histórias que movimentam e formam a cidade de São Paulo. A gente redescobriu os nossos próprios bairros. Eu tenho uma história afetiva com a Bomboniere Bom Doce, e mesmo sendo frequentadora do lugar há décadas eu não sabia muita coisa sobre o chão que eu estava pisando, fui obrigada a me despir da minha história, descobrir um outro mundo e para depois voltar e escrever sobre os dois mesclando minha história, a história do lugar e dados. Acho que uma dica bacana é acreditar que você é curioso e estar na rua com com mais olho e ouvido, do que boca. Pergunte, mas queira ouvir de fato o que aquela história está te mostrando, saca?

 

O que é a Escola de Jornalismo da Énois e como faz parte dela?

A Escola de Jornalismo oferece durante 10 meses o curso de jornalismo jovem e humanizado e uma bolsa auxílio para pessoas de 15 a 21 anos, moradores das periferias de São Paulo. O que move toda a existência da ÉNOIS é a necessidade de diversificar as redações. A maioria dos bairros do Prato Firmeza só ganham manchetes quando o assunto é desgraça, por exemplo. E isso é o reflexo da perspectiva de quem determina o que é ou não é notícia no Brasil. Todos os anos abrem turmas, as inscrições rolam em Março, aqui está a página para o pessoal ficar ligado: ÉNOIS

 

Tem esse gif do Prato Firmeza que é a coisa mais legal da vida:

Equipe (por Vinicius Cordeiro)

 

E olha que legal!!!! No dia 02/04, às 21h45, saiu mais um trabalho da Beá com as meninas da ÉNOIS no Canal Futura. O nome do novo projeto é “Não me sinto segura na internet”, um documentário que aborda a questão da violência contra garotas na internet.

Dá uma olhadinha: goo.gl/3u4hLD 😉

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