A imagem mediática

18 de setembro de 2015

Por Tamires Gomes Silva


Finalizando o ciclo de palestras, durante o VIII Simpósio de Comunicação FAPCOM, o Prof. Dr. Norval Baitello Junior trouxe reflexões sobre algo muito discutido ultimamente. Creio que, o mais importante de tudo, que ele brilhantemente trouxe à tona, foi pautar esse assunto do ponto de vista do corpo e do ambiente.

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Voltamos a alguns conceitos falados nos outros dias para introduzir a imagem mediática, como a lei da cumulatividade citada por Contrera na imagem mítica, já que nunca jogamos o passado fora. O passado é alimento para o futuro, e existem camadas mais profundas que alimentam a imagem.

O ambiente e impacto são de suma importância para visualizar o cenário da imagem. Segundo Baitello, a imagem é uma fórmula conjunta de emoção e paixão. Ela é um catalisador de paixões, e por isso tem enorme impacto sobre nós independente do ambiente, seja nas cavernas, onde disseminavam-se os mitos, seja nos locais de culto, em uma galeria de arte ou até mesmo na sala de nossas casas.

A imagem pode ser configurada como sujeito-objeto. Ou seja, na imagem mediática, ela é gerada pelo ambiente ao mesmo tempo que é geradora de ambiente. Por exemplo, quando colocamos um quadro na sala ou um azulejo em forma de fruta na cozinha.

O conceito de imagens está muito atrelado à arte, surgida no Renascimento. Com o Renascimento, a imagem começa a ganhar outros espaços. A era da arte inaugura a exposição, como exemplo, galerias de arte e galpões (contrapondo a imagem de culto, que não deveria ser exposta, e sim cultivada). Em contrapartida, isso causa um esgotamento da arte, porque a exposição é pouco lucrativa. Nesse momento, o capitalismo encontra potencial na imagem, dando à publicidade a missão de difundir a imagem, transformando-a em imagem mediática.

A consequência dessa difusão foi transformar nosso olhar. Olhamos para todos os objetos e ambientes como se fossem fotográficos. A imagem mediática quer nos levar para outro lugar, e não o que estamos vivendo aqui e agora. E como ela pode ser transcendente, se é regada de exagero, excesso e invasão? Respondendo o questionamento apresentado, Baitello trouxe o conceito de iconofagia (conceito de que as imagens nos devoram), revelando que essa transcendência se apresenta quando estamos em um determinado lugar e uma imagem nos coloca para fora desse ambiente. Sobre o impacto das imagens, Baitello afirma que é, de fato, a grande força da imagem, mais forma do que a escrita que exige aprendizado, e citou Capra que diz que o esgotamento da imagem vai gerar uma nova era, a do ouvir.  A imagem tem o poder de sedação, precisamente pelo fato da mídia colocar a janela do olhar voltada para si.

Ter uma discussão sobre as consequências dessas imagens sendo mediada pela mídia é algo bem polêmico. O fato se tornou algo mecânico à imagem. Digo mecânico porque não regamos as imagens semeadas com puro significado. O palestrante deixou muito claro que não se tratava de uma demonização da imagem, e sim uma discussão sobre suas consequências para nosso corpo. A imagem se esgota pelo discurso.

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